sábado, 28 de novembro de 2015

DIA DO LIVRO: UMA CARTILHA PARA TODA A VIDA

“Baba lava o bebê. Eu vejo a barriga do bebê”
 
Ainda na atualidade, milhares de pessoas acreditam que o método de alfabetização pela cartilha é o mais eficaz para as crianças.
CartilhaTodo aquele cidadão, que até fins dos anos 80 passou pelos bancos escolares, deve ter ainda na memória a sua primeira “cartilha” de estudante. Com as transformações na educação direcionadas atualmente para o construtivismo, esse método foi substituído. Com capas realmente infantis e românticas, as cartilhas “Caminhos Suaves” traziam crianças de mãos dadas no caminho da escola, com um cenário de cerejeiras e céu azul.
Antigamente, o processo de educação de uma criança era de forma analítica através da memorização. Os pequenos estudantes passavam por uma processo que era conhecido como “decorar” letras do alfabeto.
Depois, com a memorização de vogais e consoantes, o próximo passo seria aprender a compor as primeiras palavras.
Observando as enormes dificuldades que as crianças apresentavam nesse aprendizado de alfabetização, um professora, vinda do interior, acabou descobrindo em 1948 uma fórmula inteligente. Branca Alves de Lima, depois de lecionar em algumas escolas rurais do Estado de São Paulo, veio para a cidade grande exatamente na época em que os educadores passavam a ter mais liberdade didática na educação.
A jovem professora não concordava com o velho método de alfabetização, muito menos com os tais “castigos” impostos pelos mestres em salas de aulas a alunos que não apresentavam evolução no aprendizado.
Começou a pensar então em uma alternativa para facilitar aos aprendizes a memorizar letras e sílabas através de desenhos. Sua ideia era associar o desenho, em uma sua particularidade, com uma letra do alfabeto e o processo didático por ela desenvolvido foi adotado na educação brasileira. 
Foi assim que, no corpo da Abelha, nascia a letra A; na barriga do Bebê surgia um B; na calda do Cachorro era visto um C e dai por diante. Era a cartilha “Caminho Suave” que surgia em 1947, com a primeira edição distribuída em 1948, trazendo sua metodologia própria e entrando na história da alfabetização brasileira por ser lenitiva no processo educativo.
 
Branca Alves de Lima é pouco reverenciada, o que prova mais uma vez a falta de respeito das autoridades públicas e gestores da educação com seus mestres. Há pouca informação sobre sua vida e muito menos homenagens ao seu pioneirismo.
Em 1987, a educadora já anunciava que o MEC (Ministério de Educação e Cultura) praticamente estava decretando o fim das cartilhas nas escolas públicas. Em 1995, a cartilha Caminho Suave, cuja venda chegou a atingir mais de R$ 40 Milhões, foi retirada do catálogo do MEC e hoje, apenas são produzidas em pequena escala pela editora Edipro.
Hoje, Dia do Livro, embora não seja 27 de fevereiro (Dia do Livro Didático”), nada melhor do que nos lembrarmos do primeiro livro que muitos de nós tivemos nas mãos. Uma forma também de resgatar a visão da idealizadora de tudo aquilo que hoje são nossas reminiscências de banco escolar. 
Branca Alves de Lima faleceu em 1991, aos 90 anos de idade.

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